Arquivos para TDAH

As escolas existem para para exercitarmos nossas aptidões acadêmicas, mas quando se trata de emoções, temos que nos virar sozinhos.

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Conflitos internos muitas vezes atrapalham o desempenho escolar de muitos alunos. Então por que nós não os ajudamos a desenvolver a inteligência emocional junto com a acadêmica? Será que os dois não são igualmente importantes? Tenho certeza de que eu teria me beneficiado de uma aula que ensinasse os muitos fatores que afetam a nossa felicidade, ou contribuem para a nossa motivação (ou falta de), ou de técnicas que nos ajudassem a nos concentrarmos em sala de aula.

Isso melhoraria o desempenho geral dos alunos em todas as disciplinas, porque nossas emoções governam a nossa capacidade de aprender. Os alunos precisam de orientação para navegar suas mentes, que são complexas e muito difíceis. À medida que envelhecemos, nossa identidades se desenrolam diante de nós, e nós operamos nossas mentes incansavelmente, apenas para nos mantermos inteiros.

Mas, ultimamente, os alunos não têm tido tempo para perseguir suas próprias identidades, porque estão todos muito ocupados estudando para passar nas provas. Muitos de nós nos perdemos de quem somos ao longo do caminho e passamos o resto de nossas vidas tentando nos encontrar novamente.

Infelizmente, muitas escolas recusam a idéia de investir tempo e esforço em desenvolver a inteligência emocional de seus alunos.

Ninguém estuda nada sobre felicidade ou motivação, ou sobre como se concentrar em aula. Mas por quê? Estas são qualidades que esperamos ver em qualquer aluno – motivação e foco – e quando não vemos, nos aproximamos do aluno para saber qual é o problema. Como eles poderiam saber? Ninguém nunca os ensinou o que poderia contribuir para a sua falta de motivação ou sobre a dificuldade em se concentrar. Em vez disso, os diagnosticamos como “clinicamente desinteressados” na escola.

Nós culpamos os alunos. Mesmo que ninguém nunca tenha parado para ensinar a esses alunos os aspectos técnicos de suas mentes e de suas emoções. Esperamos que os alunos entendam suas emoções da mesma forma como nós esperamos que entendam matemática, ciências ou gramática – temas que passamos anos plantando em seus cérebros – mas não dedicamos sequer um pingo de educação para as emoções.

Quando perguntamos qual é o problema, eles não têm a menor ideia.

Como podemos esperar que essas crianças tenham as respostas? Esse trabalho é do educador. Mas como ninguém sabe o que está causando todas essas emoções perturbadoras, prescrevem drogas para silenciar as “distrações”, deixando-os confortavelmente entorpecidos.

Nós os tratamos com antidepressivos e estabilizadores de humor – tranquilizantes, essencialmente – e comprimidos destinados a ajudá-los a se concentrar e a melhorar o seu desempenho global. Estes medicamentos muitas vezes colocam a criança em risco, sem mencionar o custo. A indústria farmacêutica, como era de se esperar, está crescendo rapidamente. Nesse meio tempo, os níveis de depressão são sempre crescentes, as taxas de suicídio estão subindo rapidamente, a cada dia mais alunos são diagnosticados com TDAH e, então recebem Ritalina, a correção rápida, fácil e imediata.

Isto só trata os sintomas do problema. O TDAH é um efeito colateral da educação ineficaz. Mas em vez de reestruturarmos a educação de uma forma que funcione para os alunos, continuamos tentando desesperadamente espremê-los em moldes nos quais continuam não cabendo.

No modelo atual, a educação só se preocupa com o intelecto acadêmico, distanciando-nos de nossas próprias emoções nesse processo, apesar do fato de as emoções serem uma força constante, e muitas vezes a mais difícil de operar e entender. Existem métodos para fortalecer e exercitar nossa inteligência emocional, mas estes têm sido em grande parte deixados de fora da educação. Já foram considerados um desperdício de tempo. Mas pergunto o seguinte: qual é o sentido de ensinar alguma coisa aos alunos, se não os ensinarmos primeiro a compreenderem a si mesmos? Que benefício terá empurrar toda essa academia goela abaixo dos alunos, se não os ensinarmos a engolir e digerir tudo isso?

~ Dakota Snow, escritora

Tradução livre de Jeanne Pilli do original:
http://www.elephantjournal.com/2014/01/emotional-intelligence-what-we-really-need-to-be-teaching-in-school-dakota-snow/

O TADH é uma construção cultural

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~ Marilyn Wedge

Agradeço o Dr. Sarkis pelo interesse em responder ao meu artigo “Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?” O ponto principal do meu artigo é que não há nenhuma evidência científica de que o TDAH seja um transtorno biológico real. Os cientistas médicos não isolaram uma causa biológica para o TDAH, nem tampouco existe um teste de laboratório para determiná-lo. O TDAH é uma construção social, feita por uma comissão de psiquiatras que são os autores do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Muitos dos autores do DSM-4 (56% para ser exata) têm vínculos financeiros com empresas farmacêuticas, que têm muito a lucrar medicando crianças.

Numa versão anterior do DSM, o DSM-3, os autores construíram o TDA como um transtorno, mas no DSM-4 o TDA não existe mais. É certamente possível que o TDAH também desapareça de futuras edições do manual. Eu acho importante perceber que o DSM é um artefato da cultura, e que nem todas as culturas constroem problemas e sofrimentos humanos da mesma forma.

Como eu aponto em outro post na Psychology Today, TDAH: O Novo Diagnóstico do Imperador, “… o apelido TDAH apenas descreve um grupo de sintomas observados externamente: a criança, muitas vezes, se inquieta, comete erros por descuido nos trabalhos escolares, muitas vezes perde seus lápis, têm dificuldade em esperar pela sua vez, dá respostas precipitadas em sala de aula, e assim por diante. É como definir a diabetes como micção excessiva, sede frequente, falta de energia, e urina com cheiro doce. Claro que os médicos não definem diabetes por estes sintomas observáveis, ​​porque a diabetes tem uma causa biológica bem compreendida. A diabetes é uma doença metabólica em que o pâncreas é incapaz de produzir insulina suficiente. Mas o TDAH … [é] definido apenas por sintomas observáveis ​​externamente.”

Pode ser que o Dr. Sarkis e outros leitores também se interessem pelo meu artigo: “O TDAH existe? Uma Reflexão sobre Humberto Maturana”, postado em 25 de setembro de 2012 no blog do David Allen, Médico, Professor de Psiquiatria da Universidade do Centro de Ciências da Saúde do Tennessee e autor de três livros conceituados sobre psiquiatria.

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~ Marilyn Wedge

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Em julho de 2012, assisti a uma palestra do ilustre biólogo, filósofo e pensador construtivista chileno, Humberto Maturana, numa conferência em que nós dois éramos palestrantes. Maturana é mais conhecido por sua teoria da autopoiese. Simplificando, a autopoiese (que significa, literalmente, auto-criação) é a visão de que o mundo em que vivemos é um mundo que nós mesmos criamos.

De acordo com Maturana, toda a realidade, incluindo o fato de que as teorias científicas pretendem elucidar, é em última análise, auto-referencial e, portanto, deve levar em conta os cientistas que estão executando a elucidação. Todas as construções teóricas contêm implicitamente uma referência para a pessoa que está fazendo a teorização. E, de acordo com Maturana, é mais honesto estar ciente da auto-reflexividade de nossas teorias do que não estar. Ele é, em certo sentido, a encarnação moderna do antigo sofista Protágoras, que disse a famosa frase: “O homem é a medida de todas as coisas.”

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~ Stephanie Sarkis

Este post é uma resposta a Por que Crianças Francesas não têm Deficit de Atenção? de Marilyn Wedge, PhD

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Moliere desceveu o TDAH em sua peça L’Étourdi UO Les Contretemps (The Blunderer) em 1655. No entanto, o conceito de TDAH, ou “Transtorno do Deficit de Atenção com Hierpatividade”, como sendo um transtorno grave ainda não é totalmente aceito na França. No entanto, o TDAH afeta o funcionamento de 3,5% da população da França (Lecendreux, et ai. De 2011). Além disso, o TDAH é igualmente prevalente em outros países, como nos EUA (Faraone et ai. 2003).

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Comissão Nacional Consultiva de Ética Biomédica – Suiça – Outubro 2011

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Faz parte da natureza humana tentar impulsionar suas capacidades físicas e mentais, bem como melhorar sua habilidades emocionais e sociais. Na verdade, certas abordagens éticas consideram que este é um imperativo moral. Em contraste, a Comissão Nacional Suiça Consultiva de Ética Biomédica (NEK-CNE) acredita que o que está em questão são os meios utilizados para alcançar o aprimoramento, bem como as consequências relacionadas à saúde e consequencias sociais do consumo de agentes que supostamente melhoram o desempenho. Nem todos os meios e consequências são não problemáticos do ponto de vista ético. Usando agentes farmacológicos que atualmente são consumidos para melhorar o desempenho na vida diária, bem como para aplicações profissionais e nas instituições de ensino como exemplo, a NEK-CNE deliberadamente apresenta suas considerações éticas em formato semelhante a uma tese e os utiliza para derivar recomendações correspondentes. O objetivo é questionar potenciais riscos sociais e relacionados à saúde associados com o aperfeiçoamento humano não-terapêutico. A intenção é, por um lado, lançar projetos de pesquisa…, e, por outro lado, sensibilizar os decisores políticos e o público.

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O papel da Parentalidade Plenamente Atenta

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Crianças com TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade] têm dificuldades em manter a atenção durante períodos prolongados de tempo, para realizar metas e planos e têm dificuldade em inibir uma resposta prepotente (Barkley, 1998). Consequentemente, o seu comportamento é desatento, impulsivo e hiperativo. A TDAH é hereditário; por isso os pais de crianças com TDAH também podem apresentar sintomas de TDAH (Thapar et al 2007.).

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