Arquivos para Amor

Vejam que tocante!

Os pesquisadores de Harvard acompanharam bem de perto a vida de 724 homens durante 75 anos – o mais longo estudo longitudinal já realizado – procurando compreender o que faz com que as pessoas sejam felizes. Apenas 60 desses homens ainda estão vivos. Robert Waldinger, que apresenta o estudo nesse vídeo já é o quarto pesquisador responsável. E o estudo segue…

Espero que você tenha tempo para ver o vídeo inteiro (é curto… pouco mais de 12 minutos), mas não posso deixar de reproduzir aqui a citação de Mark Twain que Waldinger faz ao final:

“Não há tempo, tão curta é a vida,
para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações.
Só há tempo para amar,
e mesmo para isso, é só um instante.”

Que a gente nunca se perca do amor!

  • se preferir, acione a legenda em português no primeiro quadradinho branco abaixo e à direita da tela

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Imagine que você está caminhando por uma calçada com os braços cheios de mantimentos e alguém tromba com você. Você cai e seus mantimentos se espalham pelo chão. Levantando-se da poça de ovos quebrados e suco de tomate, você está prestes a gritar, “Seu idiota! O que há de errado com você? Você é cego?” Mas antes mesmo de conseguir recuperar o fôlego para falar, você vê que a pessoa que trombou com você é realmente cega. Ela também está esparramada por sobre os mantimentos. A sua raiva desaparece em um instante, e é substituída por uma preocupação: “Você está ferido? Posso ajudá-lo? ”

Nossa situação é assim. Quando percebemos claramente que a fonte de sofrimento e angústia do mundo todo é uma profunda cegueira, que nos impede de reconhecer que as aflições mentais são os nossos reais inimigos, conseguimos abrir as portas da sabedoria e da compaixão. E aí então, estaremos em condições de curar nós mesmos e os outros.

~ Alan Wallace

 

~ Matthieu Ricard

Matthieu Ricard

Para cultivar o amor altruísta, primeiro devemos nos tornar plenamente conscientes do nosso próprio desejo de nos livrarmos do sofrimento e de experimentarmos bem-estar. Este passo é especialmente importante para aqueles que têm uma imagem negativa de si mesmos ou para aqueles que sofreram tanto que sentem que a felicidade não foi feita para eles. Devemos gerar assim uma atitude acolhedora, tolerante e benevolente com relação a nós mesmos e nos dispor a conseguir o que é verdadeiramente bom para nós mesmos.

Uma vez que tenhamos reconhecido essa aspiração, temos de reconhecer também que ela é compartilhada por todos os seres. Devemos reconhecer nossa humanidade comum e tomar consciência de nossa interdependência.

Vamos primeiro focar a nossa meditação em um ente querido.

É mais fácil começar a treinar o amor altruísta pensando em alguém que seja muito querido para nós. Podemos imaginar uma criança vindo em nossa direção, sorrindo, plena de inocência. Em seguida, deixe fluir em direção a ela o amor, carinho e afeto incondicionais, desejando-lhe todo o bem que possa existir: “que você possa estar em segurança, ser saudável e prosperar na vida.” Vamos nutrir este amor e deixá-lo preencher nossa paisagem mental.

Estenda a sua meditação

Em seguida, estenda esse amor benevolente para além de seus entes queridos, para pessoas que ainda não conhece. Elas também desejam ser felizes, mesmo que, como nós, elas frequentemente se confundam sobre as maneiras de escapar do sofrimento. Finalmente, estenda sua benevolência àqueles que cometeram injustiças e  àqueles que prejudicaram outros. Isso não significa que nós queremos que eles obtenham sucesso em seus esforços maldosos. Pelo contrário, desejamos profundamente que o ódio, a crueldade, a ganância ou a indiferença que habita sua mente possam diminuir. Olhe para eles como um médico que trata alguém com uma grave doença mental.

Finalmente, envolva todos os seres sencientes, humanos e animais, nesse amor sem limites.