Arquivos para Práticas Guiadas

Quando começamos a praticar meditação, logo percebemos que estabilizar a mente não é uma tarefa fácil. A instrução básica é simples – mantenha o foco da sua atenção na respiração. Simples… mas bem difícil.

Intuitivamente achamos que precisamos nos esforçar mais. E aí tudo piora!

Minha prática pessoal se transformou com uma das orientações que o Professor Alan Wallace mais enfatiza: relaxe! A base das práticas de meditação é o relaxamento, profundo, consciente, atento.

Veja neste vídeo, o Professor Alan Wallace descrevendo essa descoberta, em um encontro que deve ter sido sensacional com ninguém menos que BKS Iyengar, um grande mestre da yoga.

 

O mais incrível é que relaxar requer prática, é em si um treinamento. Mas um treinamento dos mais deliciosos.

Aqui está uma tradução para o português de uma meditação guiada pelo Professor Alan Wallace. Ele chama esta prática carinhosamente de “enfermaria”. Diz que naqueles dias em que chegamos em casa destruídos, em vez de nos sentarmos em frente a TV ou irmos passear pelo Facebook, seria muito melhor relaxar, profundamente, e sem adormecer, para podermos desfrutar do bem estar produzido pelo relaxamento do corpo e da mente.

Esta é também a prática que deveria preceder qualquer outra. Com base no relaxamento é que podemos cultivar uma mente mais estável, mais clara.

Então, boa prática!

 

 

Agradeço aqui meus amigos Gustavo Gitti e Felipe Junqueira, que cederam seus talentos para que esta gravação tivesse mais qualidade.

O Prof Alan Wallace disse recentemente que “vivemos em uma era de deficit de atenção”. Talvez essa seja a raiz de todos os dramas dos relacionamentos. Temos uma imensa dificuldade de oferecer o maior presente que podemos dar ao outro: a nossa atenção.

Veja estes vídeos curtinhos de entrevistas do Prof Alan Wallace, de Matthieu Ricard e de Jetsunma Tenzin Palmo às australianas que organizam o movimento “One Moment Please“.

(acione a legenda em português no ícone quadradinho do lado direito inferior da tela – segundo ícone da esquerda para a direita)

 

 

 

Podemos cultivar a atenção durante todo o dia. Podemos até iniciar elegendo tarefas como tomar banho, lavar a louça, almoçar ou qualquer outra para estarmos completamente presentes, relaxados, abertos para o frescor de cada momento. Aos poucos, vamos estabelecendo uma nova forma de nos relacionarmos com o mundo.

Mas é preciso treinar um pouquinho de maneira mais estruturada. As técnicas mais utilizadas são as práticas de shamatha.

Shamatha pode ser traduzida como aquietar, cultivar ou familiarizar-se. A base de qualquer prática meditativa é o relaxamento. Se pensarmos em shamatha como se fosse uma árvore, o relaxamento seria a raiz. Aqui está uma meditação guiada para treinar o relaxamento. Comece por aqui:

http://equilibrando.me/2015/05/06/meditacao-guiada-cultivando-o-relaxamento/

Mas relaxar não é suficiente. É preciso treinar a estabilidade da atenção; na metáfora da árvore, a estabilidade seria o tronco. Estabilidade é a habilidade de sustentar o foco da atenção no objeto de escolha. Nesta prática, escolhemos as sensações da respiração no abdômen. As sensações táteis são por si só silenciosas; não tem conceito e nem discurso ali dentro. A mente pode por fim descansar, em um modo não conceitual. O relaxamento permite que a mente estabilize e a estabilidade aprofunda o relaxamento.

Divirta-se!

 

 

As práticas de atenção plena à respiração são essenciais para desenvolvermos o relaxamento e a estabilidade da atenção, sem perdermos a clareza da mente. Podemos então utilizar essa atenção mais refinada para observarmos essa ilustre e desconhecida companheira de todos os momentos – a nossa própria mente.

O Prof Alan Wallace compara a prática de shamatha à construção de um telescópio de alta resolução, como o telescópio Hubble, que nos permitirá investigar esse espaço inexplorado que é a nossa própria mente.

A mente é o domínio de experiências não ligadas aos cinco sentidos físicos – visão, audição, tato, olfato e paladar – onde surgem os pensamentos, memórias, imagens, desejos, emoções e outros fenômenos. Em geral, nos identificamos completamente com esses conteúdos e saltamos para dentro deles, editamos histórias, tentamos resolver problemas (que na maior parte das vezes nem chegam a acontecer), confundindo-os com a realidade objetiva.

Nesta prática, nos tornamos lúcidos com respeito à nossa própria mente, tomando todos os fenômenos mentais pelo que de fato são, da forma mais passiva possível, sem nos envolvermos com eles. Assim, sem ser arrastada por cada pensamento, ou por cada emoção, ou por cada impulso que surge no espaço da mente, a consciência pode por fim repousar em seu estado natural.

hap3

A busca pela felicidade genuína contrasta fortemente com nossa atração por prazeres fugazes. Não há nada de errado em saborear os prazeres da vida: os prazeres que experimentamos por estarmos com amigos queridos e com quem amaram, por desfrutarmos de uma refeição deliciosa ou de um clima maravilhoso são despertados por estímulos provenientes dos cinco sentidos físicos. Podemos também experimentar prazeres que não requerem estímulos sensoriais, como por exemplo, quando temos uma lembrança agradável. Mas quando o estímulo é retirado, o prazer desaparece. A felicidade genuína, por outro lado, não é acionada por estímulos. Aristóteles chamou essa felicidade eudaimonia, e comparou com a bondade humana, com a mente trabalhando de acordo com a virtude, especialmente a melhor e mais completa virtude. Agostinho, o grande filósofo e teólogo cristão do século V, chamou a felicidade genuína de uma alegria oferecida pela verdade, uma sensação de bem-estar que resulta da natureza da própria verdade.

Bondade Amorosa, ou maitri em sânscrito, significa uma aspiração sincera de que o outro (e você mesmo) possa experimentar a felicidade e as causas que levam à felicidade. A busca da felicidade genuína e do equilíbrio mental estão ganhando cada vez mais atenção dos cientistas cognitivos, que se perguntam: o quê leva realmente à felicidade?

Existem muitas premissas que assumimos como verdadeiras e que raramente desafiamos.

Nossa cultura é bastante orientada à ação: “vá lá e faça alguma coisa!” Esta é uma sociedade que valoriza a eficiência, a velocidade e a produtividade. Embora haja muito a ser dito sobre pragmatismo e eficiência, podemos também pensar que o melhor que você pode oferecer ao mundo é você mesmo, como alguém que corporifica a bondade amorosa e a expressa de coração aberto no dia-a-dia.

Agora, encontre uma posição confortável e boa prática!

Esta é a tradução de uma meditação originalmente conduzida pelo Professor Alan Wallace. Se para você for fácil compreender uma condução em inglês, aqui está um link onde há muitas e muitas práticas disponíveis.

http://sbinstitute.com/phuketpodcasts

Trechos do livro “Genuine Happiness” de Alan Wallace, livremente traduzido por Jeanne Pilli