Arquivos para Lidando com as Emoções

Incrível como a tecnologia é capaz de fato de aproximar as pessoas!

E não tenho como agradecer os amigos lindos que eu tenho, muito especialmente o Gustavo Gitti, e que têm a habilidade de criar uma verdadeira rede para as pessoas apoiarem umas as outras no caminho.

Na última terça-feira, 1 de março, participei de um desses eventos organizados pelO Lugar, e em 1h30, pudemos abordar os principais fundamentos do Programa Cultivando o Equilíbrio Emocional, com a possibilidade até de tentar responder perguntas muito ricas que as pessoas enviavam pelo chat.

Se tiverem um tempinho, ficou tudo gravado.

Um grande beijo

 

O céu estava nublado naquela manhã, mas ocorria um caloroso reencontro entre Sua Santidade o Dalai Lama e seu velho amigo Paul Ekman. Acompanhado de sua filha Eve, de sua esposa Mary Ann Mason e de Eric Rodenback, Ekman veio para relatar o progresso na criação de um Mapa de Emoções. Sua Santidade iniciou a conversa:

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Sua Santidade o Dalai Lama e Paul Ekman

 

“Nosso foco deve ser todos os 7 bilhões de seres humanos que vivem hoje neste planeta, cada um deles querendo ter uma vida feliz. Estamos tentando fazer com que saibam que a felicidade não é totalmente dependente de dinheiro e de coisas materiais, mas sim de valores internos como a compaixão, sem que precisem ter uma crença religiosa. Estamos tentando adotar uma abordagem secular, que possa atingir todos os seres humanos.”

“Nesse esforço, eu valorizo especialmente os cientistas, porque eles tendem a ser movidos unicamente pela experiência e por evidências. Nós devemos fundamentar a promoção dos valores seculares na nossa experiência comum de termos nascido e de termos sido criados sob o abrigo do carinho dos nossos pais; no senso comum, tais como o de observar que as pessoas que facilmente cedem à raiva não são felizes; e em evidências científicas que revelam a importância de valores internos como a compaixão. Pode ser que você tenha embarcado sozinho nesse seu trabalho, mas agora há muitos outros que buscam isso também.”

Ekman respondeu: “Você me disse que precisávamos de um mapa das emoções e eu avaliei o trabalho de 250 cientistas que estudam as emoções. Identificamos cinco emoções fundamentais: prazer, raiva, medo, tristeza e aversão. Queremos mostrar como elas funcionam, como as emoções podem nos ajudar, mas também como podem nos trazer problemas.”

Ekman explicou que para este mapa das emoções, apresentado como um modelo de computador, as emoções foram identificadas da maneira como são geralmente definidas em inglês. Ele reconheceu que há emoções que não são nomeadas em Inglês como “schadenfreude” – ter prazer com o desconforto de alguém de quem não gostamos – e “naches“, termo em iídiche que se refere ao orgulho e a alegria que os pais sentem por seus filhos. Ele afirmou que em essa tarefa de delinear e esclarecer as emoções destrutivas e construtivas e as emoções associadas não havia sido tentada em lugar algum. Sua Santidade concordou que as emoções não surgem isoladamente, mas em relação a outras emoções.

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Paul Ekman e sua filha, Eve Ekman, explicam o Mapa das Emoções a Sua Santidade o Dalai Lama

 

Eve Ekman descreveu a linha do tempo empregada no mapa, que inclui a avaliação, os gatilhos emocionais e a maneira como reagimos a eles. Paul Ekman esclareceu que a consciência dos gatilhos emocionais não surge naturalmente, mas é uma habilidade que pode ser cultivada. Ele contou que um de seus gatilhos para irritação e raiva pode ser uma pessoa lhe dizendo o que ele deve fazer. É possível tomar consciência da faísca antes que ela se transforme em chamas. Essa consciência é algo que precisa ser desenvolvido. Sua Santidade concordou com este ponto, citando a observação de Shantideva de que precisamos lidar com a raiva quando ainda está na fase de frustração, e não depois de ter se incendiado.

Eve Ekman disse a Sua Santidade que é necessário saber como criar a calma, como alcançar a paz. As pessoas precisam saber que isso é importante. Paul Ekman sugeriu que há uma serenidade dinâmica que pode nos ajudar a mudar o que está acontecendo. Sua Santidade concordou que podemos nos irritar facilmente, mas que podemos aprender a lidar com isso. Podemos aprender a manter a calma diante de um desafio. Nós podemos, por assim dizer, tomar uma posição e manter a tranquilidade. Ele ressaltou que a inteligência humana nos permite avaliar os nossos interesses a curto e a longo prazos, o que neste caso é útil.

“As práticas indianas e budistas antigas, como por exemplo, concentrar a atenção na respiração, inspirar e expirar, cria uma pausa para a mente. No entanto, isso pode não ajudar muito se apenas uma das partes de uma discussão criar essa pausa. ”

Ekman respondeu que uma regra útil ao treinar crianças é dizer que durante um conflito, se uma das partes der uma pausa, ambas devem parar de discutir.

Quando a apresentação terminou, Sua Santidade elogiou o mapa de emoções como uma grande inovação.

“É maravilhoso e inteligente. O mapa nos permite compartilhar a compreensão de como as emoções destrutivas podem ser prejudiciais. ”

Paul Ekman perguntou Sua Santidade de onde veio a ideia de construir um mapa das emoções e Sua Santidade disse que quando se vai a algum lugar novo, um mapa ajuda a encontrar o caminho de volta. Esse mapa pode nos ajudar a explicar como as emoções construtivas são úteis e o quanto as emoções destrutivas podem trazer prejuízos.

O encontro terminou com uma breve síntese das pesquisas que a equipe ainda pretende fazer. Isso inclui incorporar o humor ao mapa e uma exploração da violência crônica envolvendo a análise do humor, da personalidade e da psicopatologia. Eles querem traduzir todo o projeto para o espanhol, que é a segunda língua falada nos Estados Unidos, e criar uma versão completa que pode ser consultada sem conexão à internet.

Após o almoço, Sua Santidade foi levado ao Rancho Las Lomas, no interior da Califórnia, região selvagem e aberta, a convite do Projeto Peak Mind para falar sobre meditação. Ele foi apresentado a um público atento de cerca de 400 pessoas pelo ator e ativista social Forest Whitaker, que primeiramente cantou “Parabéns pra Você” frente a um bolo de aniversário oferecido a Sua Santidade. Ele incluiu Sua Santidade entre aqueles que, como Martin Luther King Jr, Nelson Mandela e Madre Teresa, nos ajudam a compreender melhor que somos todos iguais.

Antes de convidar Sua Santidade para falar, o organizador Michael Trainer pediu ao músico Tim Fain para prestar um tributo a Sua Santidade com seu violino.

“Irmãos e irmãs”, disse Sua Santidade, “Estou realmente muito feliz por estar aqui. Nos últimos dias estive nas grandes cidades; aqui estamos em uma região bastante remota, entre árvores e uma vegetação que nos fazem sentir mais próximos da natureza. Em nossos grandes edifícios urbanos temos flores e árvores artificiais para nos sentirmos confortáveis, aqui elas são de verdade. Agradeço por seus bons votos para o meu aniversário, mas eu gosto de pensar que cada novo dia é como como um aniversário. É um dia em que celebramos com alegria, e isso é uma indicação de que o objetivo das nossas vidas é sermos felizes. Combinar a nossa inteligência com o calor humano pode ser útil e construtivo.

“Geralmente buscamos o prazer através da experiência sensorial, mas enquanto a experiência sensorial de paisagens e sons agradáveis é passageira ­– dura apenas o tempo em que o estímulo está presente – a nossa experiência mental permanece conosco 24 horas por dia. Quando a música de que gostamos para de tocar, nosso prazer passa a ser apenas uma memória. Já que temos este cérebro maravilhoso, precisamos prestar mais atenção à nossa experiência mental.”

Ele explicou que para treinar e acalmar a mente, podemos escolher um objeto para focar. Pode ser algo como uma flor, uma ideia atraente ou até mesmo a própria mente. Embora seja mais difícil, disse ele, é mais útil e mais eficaz meditar sobre a própria mente. Se aprendermos a nos desprender da atividade sensorial, poderemos vislumbrar uma espécie de ausência. Pode ser breve, mas poderá nos dar uma ideia da claridade da mente. Não é fácil desenvolver uma apreciação do que a mente realmente é, mas é possível. No entanto, isso leva tempo, algo que as pessoas modernas que querem ter tudo imediatamente podem achar difícil.

Sua Santidade também mencionou a meditação analítica – refletir sobre temas como a impermanência.

“As árvores se modificam ao longo das estações e, da mesma forma, tudo também se modifica. Nós podemos examinar e analisar esse fenômeno. Ganhamos compreensão ao ouvirmos sobre alguma coisa, pensando sobre ela até que ganhemos convicção e experiência. Acho que a meditação analítica pode ser útil em qualquer situação. A maioria dos problemas que enfrentamos derivam da nossa incapacidade de compreender a realidade. A meditação analítica nos permite corrigir isso.”

“Depois, vem a questão de desenvolvermos interesse pelos outros. Nós todos temos uma semente natural de afeto dentro de nós, plantada pelo carinho que recebemos de nossos pais. Nós podemos cultivá-la para que ela alcance, não apenas os nossos parentes próximos e amigos, como também todos os 7 bilhões de seres humanos. Os problemas surgem quando nos debruçamos sobre as diferenças que há entre nós, que têm uma importância secundária. Em vez disso, precisamos nos lembrar que nós, seres humanos, somos basicamente todos iguais. Se fizermos isso, reforçaremos a nossa preocupação com os outros e com este planeta, que é nossa única casa.”

Ele sugeriu meditarmos juntos durante cinco minutos, cultivando o cuidado com o outro, olhar para baixo, mas não necessariamente fechados. Ele recomendou também que iniciássemos acalmando a mente agitada, focando na respiração, observando o abdômen subindo e descendo.

Passados os cinco minutos, Sua Santidade ressaltou que “shamatha” ou meditação tranquilizadora, e “vipassana”, ou meditação do insight, são comumente encontrados em muitas tradições indianas. Ele disse que também ouviu dizer que essas práticas também podem ser encontradas entre os monges em partes remotas da Igreja Ortodoxa Grega.

Entre as questões da plateia, foi perguntado o que ele quer dizer quando fala de amor e ele mencionou a proximidade que sentimos um pelo outro. Ele traçou uma analogia com a maneira como as crianças brincam com outras de forma calorosa e aberta, sem nenhuma preocupação com a religião, a raça ou de onde a outra criança vêm. Ele observou que a educação moderna parece mudar isso.

Convidado a explicar como tomar decisões difíceis, Sua Santidade respondeu que é preciso usar a inteligência movida pelo calor humano. Agir por compaixão nos mantém honestos e verdadeiros. Quando questionado sobre como ele se sente sendo o foco da atenção de milhões de pessoas, ele explicou que sempre pensa em si mesmo como apenas um outro ser humano. Pensando dessa forma a respeito de si mesmo, ele se sente rodeado de amigos, relaxado e à vontade.

Sobre meditação, ele disse que por ter imenso efeito sobre nossas emoções destrutivas, essa prática pode transformar nossas vidas. Perguntado, se caso ele pudesse fazer um pedido, qual seria esse pedido, ele respondeu:

“Que o mundo possa ser feliz, que a humanidade possa ser feliz. E a chave para isso é aprender a lidar com as nossas emoções.”

Quando a sessão chegou ao fim, Aloe Blacc, músico e rapper cantou que o amor é a resposta. Michael Trainer agradeceu Sua Santidade novamente por sua presença e agradeceu a todos haviam contribuído para que o evento fosse possível. Sua Santidade encerrou observando que a mudança do mundo começa com os indivíduos, sem que seja necessário esperar por instruções da ONU ou da Casa Branca, e pediu a todos que pensassem novamente sobre tudo o que tinham ouvido.

Tradução livre de Jeanne Pilli
http://dalailama.com/news/post/1293-map-of-emotions-and-meditation-on-compassion

 

~Sharon Salzberg

… Eu me considero privilegiada por poder trabalhar com pessoas que estão, de certa forma, na linha de frente do sofrimento. Muitos, se não a maioria dos meus alunos, chegam à meditação vindos de situações de muita aflição. Tenho visto que a meditação pode ser uma ferramenta especialmente útil para os cuidadores e para o tipo de sofrimento que eles enfrentam. A prática da meditação nos encoraja a tomarmos consciência das nossas experiências e sentimentos, ao invés de tentar “consertá-los”. A meditação abre nossa mente e aprofunda a nossa coragem. Nos convida a encontrarmos uma maior liberdade emocional. Nos permite eliminarmos as diferenciações entre você versus eu, nós versus eles. Lembra a todos nós, cuidadores e não cuidadores, que o nosso impulso básico como seres humanos é o de sermos felizes.

Mas como?

É essencial para cuidadores cultivar a auto-compaixão juntamente com a compaixão pelos outros, para criar uma atmosfera interna de bondade, expansividade e consciência em que a resiliência possa florescer. Não é realista pensar que alguém possa ignorar eternamente as suas próprias necessidades, e ainda assim ter energia e comprometimento para se entregar totalmente aos outros. Mesmo quando se trata de profissionais [como médicos, enfermeiras, assistentes sociais, etc]. Além disso, quando estamos tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo, em geral sentimos uma tendência maior ao auto-isolamento em vez da conexão. O cuidado compassivo depende de conexão.

Há algo sobre apenas “estar com”, que é uma parte fundamental do cuidar de uma forma sustentável. Reconhecermos a nossa incapacidade fundamental de consertar as coisas, e sermos capazes de simplesmente nos tornar disponíveis, é algo que podemos aprender a fazer – e ficar bem com isso – acessando o poder da auto-compaixão. A aceitação é o oposto energético da aversão, da raiva e do medo. Há espaço e aconchego, em vez de restrição, implosão e congelamento – todas as qualidades que normalmente encontramos quando nos fixamos à necessidade de corrigir, de controlar.

É essencial para os cuidadores refletirem sobre como estão se dedicando à arte de dar, e a meditação pode ajudar muito a esclarecer esse processo. A generosidade pura surge quando damos sem a necessidade de que a nossa oferta seja recebida de uma determinada maneira. É por isso que o melhor tipo de generosidade vem da abundância interior, em vez do sentimento de vazio e de falta, que carece desesperadamente de validação.

Claro que existem muitas pessoas que sentem amor e compaixão pelos outros, mas não são capazes de aceitar e dar carinho e amor a si mesmos. Mas este jeito de ser é simplesmente insustentável. Neste tipo de situação, não há como oferecer cuidado e amor livremente; surgem muitas amarras, abrindo o caminho para o ressentimento e para o esgotamento.

Cuidar com resiliência depende primeiramente da escolha de habitar um mundo onde todos nós nos tratamos com amor, em que sabemos profunda e verdadeiramente que a compaixão por nós mesmos não é sinal de fraqueza, de fracasso e nem uma desculpa para a desistência ou para a passividade. Pelo contrário, é uma força que abre a porta para uma forma completamente diferente de nos relacionarmos com o outro e com a nossa própria experiência, que nos permite crescer e mudar constantemente, e assim continuar a servir.

Extraído e traduzido livremente por Jeanne Pilli de
http://www.onbeing.org/blog/the-pain-of-caregiving-and-the-privilege-of-suffering/7387

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“Grande parte dos estudos da psicologia contemporânea demonstram que quando uma pessoa expressa raiva frequentemente, a expressão da raiva fica cada vez mais fácil. Expressar raiva se torna um hábito. Muitas pessoas assumem que dispõem de uma determinada quantidade de raiva e que não querem mantê-la dentro de si – querem expulsá-la, de alguma forma.

É como se a raiva fosse uma coisa sólida. Mas, na verdade, se observarmos com cuidado, descobrimos que a raiva não tem nenhuma solidez. Na realidade, a raiva é meramente uma resposta condicionada, que surge e se dissolve. Para nós, é crucial entendermos que quando nos identificamos com esses estados passageiros como se fossem sólidos e como se se fossem quem  realmente somos, permitimos que eles nos governem, e somos compelidos a agir de formas que prejudicam a nós mesmos e aos outros.”

~ Sharon Salzberg – Loving Kindness: The Revolutionary Art of Happiness

Cena do documentário 'Elena', de Petra Costa (foto); diretora refaz trajetória da irmã, que se matou em 1990, aos 20 anos

Cena do documentário ‘Elena’, de Petra Costa (foto); diretora refaz trajetória da irmã, que se matou em 1990, aos 20 anos

Aqui no Brasil, o suicídio mata 26 pessoas por dia. E o suicídio entre jovens está crescendo. E não falamos sobre isso.

Há poucos dias, Sua Santidade o Dalai Lama disse já quase saindo do encontro “Mude sua Mente. Mude o Mundo.” em Wisconsin, a uma platéia que parecia já satisfeita em apenas ter ouvido o que havia sido discutido: “Nós todos falhamos em construir uma sociedade saudável. É responsabilidade de cada um aqui cuidar disso”.

Falhamos…

O Jornal Folha de São Paulo promoveu, nesta noite chuvosa de terça-feira, um debate necessário sobre suicídio. Estavam lá o psiquiatra José Manoel Bertolote, muito lúcido e conhecedor do assunto, autor de “O Suicídio e sua Prevenção“; a psicóloga Rosely Sayão, e Robert Gellert Paris Junior, membro do Conselho Curador do Centro de Valorização da Vida, de uma amorosidade encantadora. A jornalista Claudia Collucci mediou elegantemente a conversa.

Foram muitos os pontos importantes e certamente insuficientes, frente ao tamanho e à complexidade do problema. Mas vou tentar contar o que eu ouvi.

Os números disponíveis sobre suicídios são assustadores… mas a realidade é ainda pior.

Sofremos de uma incompetência crônica em produzir dados precisos em áreas como a saúde. Grande parte dos casos de suicídio são registrados como acidente; e quando a morte ocorre não muito próxima ao ato, o registro é ainda menos preciso. Essa imprecisão, neste caso, é socialmente conveniente.

Existe uma forte correlação entre suicídio e transtornos mentais. Mas esta é de fato uma relação causal ou os dois fatos refletem uma questão mais fundamental? 

O Dr José Manoel expôs que há uma deficiência enorme de profissionais bem preparados para tratar os jovens de forma adequada, além de simplesmente medicar. Ele definitivamente não defende a medicalização do problema.

É duro ser tão feliz quanto o perfil do Facebook

A comunicação intensa nas redes sociais pode criar uma enorme e intransponível artificialidade. Robert Paris do CVV disse que as pessoas que os procuram querem apenas um espaço para poderem ser autênticas, para poderem dizer que não estão tão bem quanto dizem estar.

Quem quer chamar a atenção, precisa de atenção! 

Quando se deve levar a sério uma ameaça de suicídio? Sempre!

90% dos casos de suicídios são evitáveis. Todas as manifestações de desejo de morte devem ser levadas a sério, como por exemplo:

  • a pessoa se acidenta muito frequentemente
  • distribuição de pertences
  • mensagens cifradas
  • baixa auto-estima

Depois de uma tentativa de suicídio mal sucedida, 50% das novas tentativas ocorrerão no próximo mês e 40%, na próxima semana.

A OMS recomenda um programa que leva à criação de uma rede de apoio, em que um agente de saúde acompanha estas pessoas durante 18 meses, com contatos inicialmente semanais e que se espaçam ao longo do tempo, em que são feitas duas perguntas: – Como vai? Você está precisando de alguma coisa? O resultado tem sido extremamente positivo!

Quem pensa em morte, não quer morrer!

“O sentimento é ambivalente: a pessoa quer se livrar da dor, mas quer viver. Por dentro, vira uma panela de pressão. Se ela puder falar e ser ouvida, além de diminuir a pressão interna, passa a se entender melhor.” – Robert Paris

O isolamento é o caminho mais curto para o suicídio.

Mais importante do que o isolamento em si é a sensação de isolamento. A percepção de estar sendo cuidado é muito importante.

Muitas vezes, as relações familiares muito próximas são cristalizadas demais e, por mais incrível que possa parecer, uma pessoa um pouco mais distante, disponível para ouvir, para estar presente, pode ser uma ajuda valiosa.

O CVV!

Fiquei muito impressionada com a fala do Robert Paris e com o trabalho que o CVV vem realizando há muitos anos, ouvindo e levando a sério o que as pessoas têm a dizer sobre suas dores. Eles recebem 1 milhão de contatos por ano. Recentemente criaram um sistema de atendimento por chat, para tentar atingir os jovens: em 30% destes contatos o jovem expressa o desejo de morrer.

Hoje, eles estão lançando esta cartilha, como parte de um esforço para que o tema “suicídio” possa ser mais bem tratado:

http://cvv.org.br/images/stories/saibamais/falando_abertamente_sobre_suicidio.pdf

Afinal, o que este assunto tem a ver com um blog sobre Equilíbrio?

Tudo! Quase todos os temas que surgiram aqui neste blog tocam a questão da presença, da desaceleração, da compaixão, da possibilidade de um encontro verdadeiro com o outro, de felicidade genuína.

Uma sociedade permeada por tudo isso poderia oferecer uma melhor perspectiva a todos, especialmente aos jovens, não é mesmo?

O tempo do “cada um com seus problemas” acabou!

Association for Psychological Science

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Um cliente se senta diante de mim, buscando ajuda para desembaraçar seus problemas de relacionamento. Como psicoterapeuta, eu me esforço para ser acolhedor, imparcial e encorajador. Estou um pouco inquieto, e então, enquanto descrevia suas experiências dolorosas, o paciente me diz, “Sinto muito por ter sido tão negativo.”

Na verdade, a raiva e a tristeza são uma parte importante da vida, e uma nova pesquisa mostra que experimentar e aceitar tais emoções são vitais para a nossa saúde mental. A tentativa de suprimir pensamentos pode ser um tiro pela culatra e até mesmo diminuir a nossa sensação de contentamento. “Reconhecer a complexidade da vida pode ser um caminho particularmente fecundo para o bem-estar psicológico”, diz o psicólogo Jonathan M. Adler da Franklin W. Olin College of Engineering.

Pensamentos e emoções positivas podem, é claro, beneficiar a saúde mental. As teorias hedônicas definir bem-estar como a presença de emoção positiva, a relativa ausência de emoção negativa e um sentimento de satisfação com a vida. Levado ao extremo, no entanto, isso não é congruente com a desordem da vida real. Além disso, as perspectivas das pessoas pode se tornar tão cor de rosa que acabam ignorando perigos ou se tornando complacentes [ver “O pensamento positivo pode ser negativo?” Por Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz; Scientific American Mind, maio / junho de 2011].

As abordagens eudeimônicas, por outro lado, enfatizam um senso de significado, de crescimento pessoal e de entendimento de si mesmo – metas que exigem enfrentamento das adversidades da vida. Os sentimentos desagradáveis ​​são tão cruciais quanto os agradáveis ​​para ajudá-lo a dar sentido aos altos e baixos da vida. “Lembre-se, uma das principais razões pela qual temos emoções, em primeiro lugar, é nos ajudar a avaliar as nossas experiências”, diz Adler.

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Scientific American