Superando as barreiras para o autoconhecimento

04/03/2013 — 3 Comentários

Erika Carlson – Washington University

selfknowledge

Existem muitos pontos cegos no autoconhecimento, que podem ter diversas consequências negativas para nós mesmos e para os outros.

O artigo “Overcoming the Barriers to Self-Knowledge: Mindfulness as a Path to Seeing Yourself as You Really Are“, de Erika Carlson, publicado na edição de março da revista Perspectives on Psychological Science, procurou explorar a hipótese de que a “Atenção Plena”, conforme definido por Jon Kabat-Zinn – prestar atenção de uma maneira específica: propositadamente, momento a momento, sem julgamento – melhora o autoconhecimento.

Conhecer a própria personalidade reflete uma percepção precisa dos padrões de pensamento, sentimento e comportamento, bem como saber como os outros percebem esses padrões.

As principais barreiras ao auto-conhecimento podem ser agrupadas em duas categorias: barreiras de informação e barreiras de motivação.

As barreiras de informação refletem casos em que a quantidade ou a qualidade de informação disponível ou detectada prejudica o autoconhecimento. Muitas vezes, a informação disponível é negligenciada por distração ou por outras demandas cognitivas; as pessoas podem falhar em perceber certos sinais sociais porque seus sentimentos, sentimentos e intenções são mais salientes para elas.

As barreiras motivacionais refletem um senso de proteção do ego, que influencia a forma como as pessoas processam e utilizam as informações sobre suas personalidades.

Para entendermos como a Atenção Plena pode ser um caminho para o auto-conhecimento, precisamos considerar os dois componentes desta prática: a atenção à experiência momento a momento – sustentação da consciência de sentimentos, pensamentos e comportamentos – e a não-elaboração – refletindo uma abertura, curiosidade e aceitação da experiência sem alterá-la e sem expectativas ou, como dito por Jon Kabat-Zinn, “sem contar histórias”.

Assim, falando em termos gerais, prestar mais atenção às experiências poderia ajudar a superar as barreiras de informação e a observação não avaliativa poderia ajudar a superar as barreiras motivacionais. O artigo descreve diversas evidências empíricas destes mecanismos.

E conclui, “Apesar do acesso privilegiado que temos aos nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos, as barreiras informativas e motivacionais muitas vezes nos impedem de nos vermos como realmente somos. Há algumas evidências de que a Atenção Plena pode ajudar a superar essas barreiras e que o auto-conhecimento é um resultado da Atenção Plena; no entanto, existem muitas lacunas na literatura. Pesquisas futuras que examinem diretamente a ligação empírica entre Atenção Plena e autoconhecimento terá importantes implicações teóricas, bem como consequências práticas para os indivíduos que desejam melhorar o auto-conhecimento.

Perspectives on Psychological Science 2013, 8 (2): 173–186

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