A meditação está associada a níveis mais baixos do “hormônio do estresse”

03/29/2013 — 5 Comentários

Shamatha Project

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Centrar-se no presente, ao invés de deixar a mente vagar, pode ajudar baixar os níveis de cortisol, o chamado hormônio do estresse, como sugere novos resultados do Projeto Shamatha da Universidade da Califórnia, Davis.

A capacidade de concentrar os recursos mentais na experiência imediata é um aspecto da atenção plena (mindfulness), que pode ser melhorada por meio do treinamento de meditação.

“Este é o primeiro estudo que demonstrou uma relação direta entre o cortisol no repouso e escores de qualquer tipo de escala de atenção plena”, disse Tonya Jacobs, pesquisadora pós-doutorada na Universidade da Califórnia, UC Davis Center for Mind and Brain, e autora principal de um artigo descrevendo o trabalho, publicado esta semana na revista Health Psychology.

Altos níveis de cortisol, um hormônio produzido pela glândula suprarrenal, estão associados ao estresse físico ou emocional. A liberação prolongada do hormônio contribui para uma ampla gama de efeitos adversos sobre uma série de sistemas fisiológicos.

As novas descobertas são os mais recentes resultados do Projeto Shamatha, um abrangente estudo de longo prazo e controlado sobre os efeitos do treinamento de meditação sobre a mente e o corpo.

Liderados por Clifford Saron, pesquisador associado da UC Davis Center for Mind and Brain, o Projeto Shamatha tem atraído a atenção de cientistas e estudiosos budistas, incluindo o Dalai Lama, que aprovou o projeto.

No novo estudo, Jacobs, Saron e seus colegas usaram um questionário para medir aspectos da atenção plena de um grupo de voluntários, antes e depois de um intenso retiro de meditação de três meses. Eles também mediram os níveis de cortisol na saliva dos voluntários.

Durante o retiro, o estudioso e professor de meditação B. Alan Wallace, do Santa Barbara Institute for Consciousness Studies, treinou os participantes em tais habilidades de atenção com técnicas como atenção plena à respiração, observação de eventos mentais, e observação da natureza da consciência. Os participantes também praticaram o cultivo de estados mentais positivos, incluindo bondade amorosa, compaixão, alegria empática e equanimidade.

Na análise individual, houve uma correlação entre uma alta pontuação para a atenção plena e baixos níveis de cortisol, antes e depois do retiro. Indivíduos cujos escores de atenção plena aumentaram após o retiro tiveram uma diminuição nos níveis de cortisol.

“Quanto mais a pessoa relatava ter mantido foco de seus recursos cognitivos na experiência sensorial e nas tarefa imediatas, menores os níveis de cortisol no repouso”, disse Jacobs.

A pesquisa não mostrou uma relação causa-efeito direta, salientou Jacobs. Na verdade, observou-se que o efeito poderia se dar de qualquer maneira – a redução dos níveis de cortisol pode levar a uma melhora nos escores de atenção plena, ao invés do contrário. Os escores no questionário de atenção plena aumentaram do pré para o pós-retiro, enquanto os níveis de cortisol em geral não se alteraram.

Segundo Jacobs, o treinamento da mente para se concentrar na experiência imediata pode reduzir a propensão a ruminar sobre o passado ou se preocupar com o futuro, processos de pensamento que têm sido associados à liberação de cortisol.

“A idéia de que podemos treinar as nossas mentes de forma a promover ​​hábitos mentais saudáveis e que esses hábitos podem se refletir nas relações corpo-mente não é novidade; tem sido observada há milhares de anos, em várias culturas e ideologias”, disse Jacobs. “No entanto, essa idéia está apenas começando a ser integrada à medicina ocidental conforme as evidências objetivas se acumulam. Felizmente, estudos como este irão contribuir para esse esforço.”

Saron observou que, neste estudo, os autores utilizaram “atenção plena” para se referir a comportamentos que se refletem em uma escala de atenção plena particular, que foi a medida usada no estudo.

“A escala mediu propensão dos participantes a soltar os pensamentos angustiantes e levar a atenção a diferentes domínios sensoriais, tarefas diárias, e os conteúdos atuais de suas mentes. Contudo, esta escala pode refletir apenas um subconjunto de qualidades que compõem a qualidade mais elevada da atenção plena, tal como é concebido por várias tradições contemplativas “, disse ela.

Estudos anteriores do Projeto Shamatha mostraram que o retiro de meditação teve efeitos positivos sobre a percepção visual, atenção sustentada, bem-estar sócio-emocional, atividade cerebral em repouso e sobre a atividade da telomerase, uma enzima importante para a saúde celular a longo prazo.

http://www.news.ucdavis.edu/search/news_detail.lasso?id=10538

5 Respostas para A meditação está associada a níveis mais baixos do “hormônio do estresse”

  1. 

    Como é que prática o mindfulness?

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